
Com mais de duas décadas de experiência e operações em cinco países da América Latina, a NextStream está em plena expansão e tem se posicionado como uma das protagonistas no setor de data centers
Em entrevista à TI INSIDE, Marco Kalil, Chief Revenue Officer (CRO) da empresa, falou sobre os desafios e oportunidades do mercado, a importância de uma política nacional de incentivo e os planos estratégicos da empresa para os próximos anos.
Kalil tem acompanhado de perto os debates sobre a criação de políticas públicas voltadas à atração de investimentos em infraestrutura de data centers no Brasil. Segundo ele, o tema tem ganhado protagonismo, impulsionado principalmente pelo crescimento da inteligência artificial e pela centralidade dos dados nos modelos de negócios atuais. “Hoje, data center virou pauta de conselho, até mesmo de empresas que não são de tecnologia. É um reconhecimento de que dados, IA e automação são parte fundamental do core business”, afirma.
Apesar da tentativa inicial do governo federal de atrair players globais, Kalil observa que a discussão esfriou diante de outras prioridades políticas. Ainda assim, ele destaca o potencial da América Latina — e especialmente do Brasil — para receber esses investimentos. “Temos uma matriz energética promissora, com abundância de geração. Nosso desafio é a transmissão e a infraestrutura. Mas o terreno é fértil”, explica.
NextStream na América Latina
A NextStream surgiu da aquisição dos data centers da Telefónica na região pela gestora britânica Actis. Com unidades no Brasil, Chile, México, Argentina e Peru, a empresa herdou estruturas modernas e bem localizadas, muitas delas ainda utilizadas pela própria Telefónica, hoje um de seus principais clientes e parceiros comerciais.
“São data centers robustos, pensados desde o início para alta performance e segurança. Temos uma operação de colocation — tanto retail quanto wholesale — e também atuamos em projetos built-to-suit para empresas que precisam de soluções dedicadas”, detalha Kalil.
Um dos principais motores de crescimento, segundo Kalil, é o avanço da inteligência artificial, especialmente a IA generativa. “Treinar modelos exige muita capacidade computacional e energia. Estamos sendo procurados por empresas que desenvolvem soluções para terceiros e precisam de ambientes confiáveis para treinar e rodar essas aplicações”, afirma.
A empresa já sente o impacto dessa tendência. “Temos sido muito consultados sobre disponibilidade, segurança, densidade de energia e localização dos nossos data centers. Isso mostra como o setor está aquecido e precisa de capacidade escalável”, explica.
Brasil
A NextStream possui hoje dois data centers no Brasil — em Curitiba e em Porto Alegre —, além de unidades nos demais países em que atua. A estratégia para os próximos anos, revela Kalil, é expandir as operações dentro dos países onde já está presente, especialmente México, Brasil e Chile.
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“Estamos ampliando um site no México e avaliando novas possibilidades no Brasil. Construir novos data centers do zero só faz sentido quando há um contrato definido com o cliente. Fora isso, o foco é aumentar a capacidade nas infraestruturas já existentes”, diz.
Sobre fusões e aquisições, Kalil ressalta que essa é uma possibilidade viável. O fundo Actis, controlador da NextStream, também investe em torres de telecomunicação e energia, áreas que se conectam diretamente com a operação de data centers. “Faz todo sentido estratégico integrar essas verticais. O fundo vê valor nisso, e a sinergia é clara”, complementa.
Para o executivo, o setor de data centers tem potencial para impulsionar diversos segmentos da economia. Ele cita como exemplo recente a Febraban Tech, evento em que a presença de empresas de conectividade, infraestrutura e tecnologia demonstrou como o ecossistema está interligado. “O data center é um hub que conecta tudo: energia, conectividade e dados. O impacto na economia é grande e transversal”, conclui.
Com uma estratégia clara de crescimento e um portfólio diversificado, a NextStream busca consolidar sua liderança no mercado latino-americano de infraestrutura digital — e espera que o Brasil não perca a oportunidade de assumir o protagonismo que o setor exige.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais