
Imagine um futuro em que você acorda e, antes mesmo de sair da cama, sua inteligência artificial pessoal já comprou um presente para o aniversário da sua irmã, pagou suas contas do mês e até encomendou a reposição dos itens que estavam acabando na sua despensa.
Esse cenário, que até pouco tempo parecia ficção científica, está se tornando cada vez mais plausível com o avanço da
Agentic AI — uma nova geração de inteligência artificial capaz de agir de forma autônoma e inteligente em nome dos usuários.
Esses agentes são muito mais do que assistentes digitais. Eles representam uma evolução do papel da IA no cotidiano das pessoas, assumindo não apenas tarefas de recomendação e automação, mas também decisões complexas e ações transacionais.
Tudo isso com um altíssimo nível de personalização. Um agente poderá, por exemplo, monitorar as ofertas de voos e hotéis com base nas suas preferências pessoais já identificadas ao longo do tempo, reservar a viagem inteira, realizar o pagamento com segurança e ainda atualizar sua agenda com todos os compromissos relacionados. Basta você autorizar uma vez para que todo o processo se realize.
Para os consumidores, os benefícios parecem evidentes. No entanto, como toda grande transformação tecnológica, essa nova era trará desafios importantes. O principal deles é a confiança. As pessoas estarão dispostas a permitir que uma IA tome decisões financeiras por elas? Como os emissores de cartões poderão ter certeza de que uma transação foi iniciada pelo titular real, e não por um bot mal-intencionado? E os comerciantes — como saberão que uma compra feita por um agente de IA é legítima e que serão devidamente pagos?
A resposta está na segurança — mais especificamente, na capacidade de garantir que a IA possa agir com autonomia sem comprometer a integridade das transações. Nesse sentido, a tokenização posiciona-se como uma tecnologia ainda mais essencial. Ao substituir dados sensíveis, como o número do cartão, por identificadores únicos e criptografados, a tokenização reduz drasticamente os riscos de fraude e interceptação. Em um cenário onde os agentes de IA farão pagamentos em nome dos usuários, será indispensável contar com esse tipo de proteção, associada a métodos modernos de autenticação, como PassKeys e autenticação biométrica.
Outro elemento decisivo será o papel das bandeiras de cartões. Por sua capilaridade global e sua função estratégica no ecossistema de pagamentos, elas serão fundamentais para criar os padrões que permitirão a interoperabilidade e a segurança na relação entre
agentes de IA, emissores e comerciantes. As bandeiras deverão atuar como ponte entre o consumidor (representado por seu agente) e o comércio, ajudando a garantir que as transações ocorram em um ambiente confiável, rastreável e amplamente aceito.
O futuro da Agentic AI nos pagamentos será construído por meio da colaboração entre emissores, bandeiras, comerciantes e desenvolvedores de tecnologia. E, acima de tudo, pela confiança do consumidor, que precisará se sentir no controle, mesmo quando delegar decisões ao seu agente de IA.
Estamos no início dessa jornada, mas o potencial é imenso. Com segurança robusta, padrões claros e foco na experiência do usuário, a inteligência artificial poderá nos livrar de tarefas repetitivas e nos dar algo valioso: tempo. Tempo para focar no que realmente importa, enquanto nossos agentes cuidam do resto — de forma segura, proativa e personalizada.
Victor Nascimento, Head de Produtos da HST Card Technology.
Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais