
Em um mercado cada vez mais agitado pelas promessas da inteligência artificial, a Avra, startup brasileira fundada por Bruno Alano e Viviane Meister, vem se destacando não apenas pela inovação técnica, mas por sua visão clara e pragmática: usar modelos fundacionais de IA para resolver as demandas num mercado pouco explorado no Brasil, que e a compreensão e análise de mercado das pequenas e médias empresas (PMEs).
A trajetória do CTO e cofundador Bruno Alano é, por si só, impressionante. Natural de São Paulo, ele iniciou sua jornada na tecnologia com apenas oito anos, quando criou um projeto open source que ganhou projeção nacional e internacional. Aos 15, recebeu uma bolsa de estudos do governo finlandês e se mudou para Helsinque em um momento decisivo para a IA global — quando o avanço da tecnologia NVIDIA e da plataforma CUDA estava revolucionando o campo do aprendizado de máquina. De lá, a carreira de Alano só acelerou: fundou sua primeira startup aos 16 anos, integrou a OpenAI em São Francisco ainda nos primeiros meses da organização e ajudou a estabelecer a ABRIA (Associação Brasileira de Inteligência Artificial).
Essa bagagem técnica, combinada ao conhecimento do mercado de crédito que Viviane acumulou em instituições como HSBC, Moodys e IGWALL, deu origem à Avra em 2023. A empresa foi criada com um objetivo claro: aplicar IA para entender profundamente o comportamento das PMEs, um segmento que representa 98% das empresas brasileiras e cerca de 30% do PIB nacional, mas que ainda é negligenciado por sistemas tradicionais de análise e crédito.
O diferencial: modelos fundacionais com propósito
Diferente de soluções convencionais que se baseiam exclusivamente em scores de crédito, a Avra desenvolveu um modelo fundacional próprio, um tipo de IA generalista treinada a partir de enormes volumes de dados não com um propósito fixo, mas com a capacidade de ser ajustado posteriormente para diferentes aplicações — seja para crédito, análise de risco, recomendação de produto ou prevenção de churn.
“Modelos fundacionais são treinados para entender como o mundo se comporta, e não apenas para resolver uma tarefa específica”, explica Alano. “Isso os torna mais robustos, menos suscetíveis a variações bruscas nos dados e mais eficazes em contextos complexos como o das PMEs.”
Esse pioneirismo rendeu frutos. A Amazon Web Services (AWS) reconheceu a Avra como uma das três empresas mais inovadoras da América Latina na criação de modelos fundacionais. O prêmio destaca empresas que desenvolvem tecnologia própria do zero, algo raro em um mercado ainda muito dependente de modelos prontos de grandes provedores.
Apesar da sofisticação técnica, o modelo de negócios da Avra é simples: software como serviço (SaaS), com contratos recorrentes junto a grandes instituições financeiras e empresas de grande porte, que usam a plataforma da Avra para entender melhor seus clientes PJ — em especial, as pequenas e médias empresas. A distribuição, portanto, é B2B2B: a Avra atende grandes players, que por sua vez lidam diretamente com PMEs.
“Nós não somos um bureau nem vendemos score. Somos uma plataforma de inteligência. Nossa missão é dar visibilidade e contexto às PMEs — e isso vai muito além de crédito. Pode ser para personalização de produtos, campanhas de marketing, ou mesmo estruturação de linhas de financiamento sob medida”, afirma Alano.
Parte do sucesso da Avra se deve a um elemento muitas vezes ignorado nas discussões sobre IA: a qualidade dos dados. A empresa desenvolveu uma base proprietária robusta, que alimenta seus modelos fundacionais e serve como contrapeso aos dados incompletos ou ruidosos que muitas vezes chegam dos clientes.
“Você nunca vai ter dados 100% limpos no mundo real, especialmente com PMEs. Nosso diferencial é conseguir interpretar esses dados com contexto, com inteligência, e não só repetir fórmulas prontas que funcionam apenas com empresas grandes e auditadas”, explica Alano.
“Não acreditamos que existam empresas ruins. O que existe é uma falta de estrutura para operar com elas. Às vezes, o crédito não precisa ser negado — ele precisa ser adaptado”, resume Bruno. “Se conseguimos usar IA para aprovar 50% das PMEs que hoje seriam recusadas por birôs tradicionais, sem aumentar inadimplência, estamos criando valor real — e impacto social.”
Crescimento acelerado, mas com foco
Com 24 colaboradores altamente especializados — muitos com formação técnica avançada ou experiência internacional — a Avra já trabalha com alguns dos maiores nomes do mercado financeiro brasileiro, embora, por questões contratuais, ainda não possa divulgar seus clientes.
A empresa pretende expandir para a América Latina em breve, mas com cautela. “Nosso foco ainda está no Brasil. Há muito a ser feito aqui”, diz o CTO. “Mas os próprios clientes têm nos puxado para outros mercados. Então, a expansão virá de forma natural.”
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais