
Vivemos um momento decisivo para o desenvolvimento tecnológico no Brasil, especialmente nas áreas de inteligência artificial e telecomunicações, que são pilares da transformação digital. No entanto, de acordo com a Reuters, a tarifação imposta pelos Estados Unidos, que pode chegar a até 50% sobre tecnologias e produtos brasileiros, representa uma barreira significativa ao acesso a recursos essenciais para esses setores. Essa realidade aprofunda a dependência tecnológica e prejudica o avanço da inovação nacional.
O Brasil já enfrenta desafios estruturais para crescer em IA e telecomunicações, desde limitações em infraestrutura até investimentos insuficientes. A imposição dessas tarifas encarece ainda mais o acesso a componentes fundamentais como servidores, chips, plataformas e APIs de processamento de linguagem. Segundo a Financial Times, no setor aeroespacial, por exemplo, a Embraer estimou um impacto adicional de até US$ 9 milhões por aeronave exportada, devido à elevação tarifária. Esse cenário desestimula o crescimento do setor e dificulta a competitividade internacional das empresas brasileiras, que precisam se adaptar a um mercado global cada vez mais dinâmico e exigente.
O maior risco dessa situação é o aprofundamento da dependência tecnológica em áreas estratégicas, como inteligência artificial, telecomunicações e infraestrutura digital. Com custos elevados sobre insumos e tecnologias essenciais, o Brasil corre o risco de se tornar apenas um consumidor passivo da inovação global, sem capacidade de competir, escalar ou gerar soluções autônomas. Isso não só compromete a soberania tecnológica do país, como também reduz a atração de investimentos e amplia a exclusão digital, sobretudo nas regiões e segmentos que mais necessitam de automação e conectividade. Segundo a Câmara Americana de Comércio, as tarifas impactam mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos e afetam cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços transacionados entre os dois países.
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Para enfrentar esse desafio, é fundamental que o país articule uma estratégia nacional de soberania tecnológica, baseada em três frentes principais. A primeira envolve a renegociação de acordos comerciais para reduzir tarifas sobre insumos tecnológicos críticos, especialmente nos setores emergentes de inteligência artificial e telecomunicações. A segunda é o fortalecimento da produção e do desenvolvimento tecnológico local, por meio de incentivos como linhas de crédito, fundos para pesquisa e desenvolvimento e desoneração fiscal de hardware e software estratégicos. Por fim, a formação de alianças com blocos econômicos e países que compartilham interesses semelhantes deve contribuir para a construção de ecossistemas tecnológicos mais resilientes e menos dependentes das grandes potências mundiais.
O país precisa agir rapidamente para deixar de ser apenas um usuário final da revolução digital e se tornar protagonista nessa nova era. A inteligência artificial e as telecomunicações são ferramentas poderosas para inclusão, competitividade e desenvolvimento sustentável, mas dependem de um ambiente favorável para florescer. Sem isso, estaremos condenados a repetir ciclos de atraso e dependência, perdendo oportunidades cruciais para o futuro.
Daniel Sabença, fundador e CEO da Mobcall.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais