
Por que, apesar de ter talentos e recursos em abundância, o Brasil continua a importar tecnologias emergentes em vez de criá-las? Como empresário focado em inovação tecnológica, frequentemente questiono: até quando vamos exportar cérebros e commodities básicas e importar soluções prontas que poderíamos desenvolver internamente?
O que perdemos quando a inovação é deixada de lado?
Jack Dorsey, fundador do Twitter, recentemente lançou o Bitchat, um aplicativo descentralizado que utiliza a tecnologia Bluetooth mesh para estabelecer redes de comunicação sem depender de internet, sinal celular ou infraestrutura tradicional. Este exemplo é emblemático: uma tecnologia subutilizada há décadas se tornou o centro de uma inovação poderosa, barata e de alto impacto social.
No entanto, enquanto países como EUA e China investem trilhões em tecnologias emergentes como inteligência artificial, blockchain, computação quântica e sistemas descentralizados, o Brasil projeta investir apenas R$23 bilhões em inovação tecnológica nos próximos cinco anos. Este valor é 217 vezes menor que o investido pelas potências globais. Estamos claramente ficando para trás no cenário tecnológico mundial, apesar de termos condições únicas para liderar.
A estrutura brasileira de financiamento público à inovação é invejável. Instituições como FINEP e BNDES oferecem crédito com taxas a partir de 3% ao ano, carência de até 4 anos e prazos superiores a 10 anos. Contudo, ainda estamos usando esses recursos predominantemente para digitalizar processos existentes, ao invés de criar novas soluções tecnológicas disruptivas. Essa abordagem limita drasticamente o potencial de inovação e crescimento econômico nacional.
A inércia custa caro
Temos talentos brilhantes, instituições de pesquisa renomadas e empresas capazes de produzir inovação radical, mas continuamos presos ao papel de importadores de tecnologias estrangeiras. A falta de uma estratégia nacional robusta para tecnologias emergentes, aliada a uma estrutura fragmentada e burocrática, impede que o Brasil assuma uma posição estratégica como líder tecnológico.
Precisamos mudar nossa abordagem imediatamente. É essencial estruturar projetos que aproveitem plenamente as condições de financiamento público existentes, investindo em tecnologias emergentes adaptadas às nossas necessidades regionais e sociais. Não podemos mais aceitar passivamente nossa dependência tecnológica. O momento exige ação estratégica para transformar o Brasil em protagonista global da inovação tecnológica.
E você, como líder ou empreendedor, já está preparado para participar ativamente dessa transformação ou continuará esperando que as soluções venham prontas de fora?
Fabrizio Gammino, Co-CEO da Gröwnt.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais