
A detecção de gases com enxofre na atmosfera do exoplaneta K2-18b foi inicialmente descrita como a evidência mais forte de vida fora do nosso Sistema Solar. Contudo, novos estudos questionaram essas evidências, descartando os sinais de vida nesse planeta distante.
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Análises independentes concluíram que os resultados obtidos por pesquisadores da Universidade de Cambridge — liderados pelo astrônomo Nikku Madhusudhan — não fornecem evidências convincentes da existência de vida no K2-18b.
As novas investigações oferecem informações mais detalhadas sobre a possível presença de sulfeto de dimetila (DMS, na sigla em inglês) no exoplaneta. Na Terra, o DMS é produzido quase exclusivamente por algas marinhas e outros organismos; por isso, sua detecção em um planeta distante poderia sugerir a presença de alguma forma de vida.
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Sem evidência de DMS
Um estudo divulgado por cientistas da Universidade de Chicago no dia 19 de maio, na plataforma de pré-impressão arXiv, combinou dados de todas as observações do K2-18b feitas a partir do telescópio James Webb realizadas nos comprimentos de onda do infravermelho próximo e médio.
Como resultado, os pesquisadores relataram sinais fortes de hidrogênio, dióxido de carbono e metano, mas nenhuma evidência clara de DMS. Os cientistas indicam que o que parecia ser sulfeto de dimetila pode, na verdade, ser apenas ruído.
“Posso dizer sem rodeios que não há nenhum sinal estatisticamente significativo nos dados publicados há um mês”, destacou Jacob Bean, astrônomo da Universidade de Chicago, em entrevista ao The New York Times.
Outra fonte de sinais

Outra pesquisa, liderada pelo astrônomo Luis Welbanks, da Universidade do Arizona, decidiu testar a hipótese de que, se realmente havia um sinal de luz associado ao K2-18b, ele poderia ter vindo de outras substâncias.
A verificação realizada pela equipe de Welbanks contou com a análise de 90 moléculas que poderiam existir em um exoplaneta — e que não precisam ser produzidas por organismos vivos. Os especialistas encontraram 59 gases capazes de emitir sinais semelhantes ao do DMS.
Os resultados obtidos por esse estudo, também divulgado no arXiv, indicam que a luz fraca da atmosfera do K2-18b pode gerar padrões ambíguos, e que dados tão escassos são insuficientes para considerar o exoplaneta como um local com evidências de vida.
Uma ‘auto-refutação’
Os pesquisadores da Universidade de Cambridge publicaram outro estudo para contestar os resultados obtidos pela pesquisa liderada por Luis Welbanks. A nova investigação revelou que, entre 650 moléculas que poderiam estar na atmosfera do K2-18b, o sulfeto de dimetila está entre as mais prováveis.
No entanto, Welbanks afirmou ao The New York Times que o novo estudo representa uma “auto-refutação” por parte da equipe de Nikku Madhusudhan, pois o resultado apenas fornece mais evidências de que o DMS não se destaca em relação a outras moléculas que também podem ser encontradas no exoplaneta.
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Fonte: Canaltech - Leia mais