
A Mastercard tem como uma linha de frente de sua atuação o combate às fraudes digitais, setor onde já investiu mais de 10 bilhões de dólares nos últimos anos em aquisições e desenvolvimento de soluções voltadas para cibersegurança. O foco é integrar a expertise da empresa em prevenção à fraude no setor financeiro com novas abordagens voltadas para o ecossistema digital mais amplo.
Em entrevista à TI INSIDE, Daniel Vilela, Vice-Presidente de Produtos e Soluções da empresa, detalha como a companhia tem utilizado inteligência artificial (IA), tecnologias preditivas e estratégias educacionais para fortalecer a segurança digital e proteger os consumidores.
Segundo ele, os ataques cibernéticos e fraudes estão cada vez mais interligados, exigindo soluções que transcendam o universo dos pagamentos. “Estamos unificando o conhecimento que temos em segurança de pagamentos com tecnologias mais amplas de proteção digital. O objetivo é garantir segurança em todo o ecossistema conectado — não só no momento da transação, mas em toda a jornada do usuário.”
Fraudes mais sofisticadas exigem resposta preditiva
Uma das principais preocupações, destaca o executivo, é o crescimento dos golpes baseados em engenharia social, que exploram o elo mais frágil: o próprio consumidor. “Muitos golpes hoje acontecem com o próprio usuário realizando a transação, sem perceber que está sendo enganado.”
Para mitigar esse tipo de fraude, a Mastercard aposta em IA comportamental, capaz de identificar transações atípicas ao perfil do usuário. “Mesmo que seja o próprio cliente fazendo a operação, conseguimos detectar quando aquilo foge do padrão habitual e emitir um alerta. Esse tipo de inteligência é essencial para estar sempre um passo à frente dos criminosos.”
IA: arma de defesa e de ataque
Vilela reconhece que a IA é uma via de mão dupla: se, por um lado, oferece ferramentas poderosas de proteção, por outro também é usada pelos fraudadores. “Golpistas estão utilizando IA para criar mensagens e contatos extremamente personalizados, o que aumenta a chance de sucesso dos ataques.”
Frente a isso, a Mastercard tem buscado antecipar os movimentos criminosos, monitorando ameaças e ajustando as ferramentas de forma preditiva. “É um jogo de xadrez. A IA precisa nos ajudar a prever onde será o próximo ataque, não apenas reagir depois que ele aconteceu.”
Entre os resultados práticos da adoção da IA, Vilela destaca o aumento significativo na eficiência dos sistemas de monitoramento de transações. “Tínhamos soluções com um certo grau de assertividade, mas ao incorporar IA, conseguimos triplicar a eficiência de algumas ferramentas. Isso nos permite escalar o monitoramento de maneira muito mais robusta e inteligente.”
Fraudes por voz e o papel da educação
Outro tipo de fraude crescente é o uso de voz sintética para aplicar golpes via telefone. Muitas vezes, esses ataques usam o tom de urgência como arma. “É fundamental que o consumidor desconfie quando uma proposta parecer boa demais”, alerta Vilela. Ele destaca o papel da educação como um dos pilares mais importantes da estratégia de segurança digital.
“Temos uma iniciativa educacional para toda a cadeia, desde o consumidor final até grandes empresas. Bancos, bandeiras e varejistas precisam falar a mesma língua e orientar seus clientes.” A Mastercard trabalha com ações que vão desde campanhas informativas até apoio direto aos parceiros.
Um ecossistema mais seguro e colaborativo
Para atender um mercado cada vez mais diverso e digitalizado, a Mastercard desenvolve soluções adaptáveis a diferentes segmentos. “Seja um banco tradicional, um digital, ou uma empresa de telecomunicações, todas enfrentam vulnerabilidades digitais. Nosso papel é identificar esses riscos e ajudar a priorizar os investimentos em segurança.”
Vilela conta que a empresa possui uma estrutura global de cibersegurança com presença regional, garantindo que soluções sejam aplicadas localmente com a devida sensibilidade cultural e tecnológica. “Além da parte técnica, temos um time voltado à confiança digital — que cuida da educação, da conscientização e da construção de uma cultura de cibersegurança.”
Gamificação e inclusão digital
Para alcançar públicos diversos — de crianças com seus primeiros celulares a idosos se adaptando ao ambiente digital — Vilela defende soluções criativas, como iniciativas de gamificação. “As pessoas se engajam quando entendem que podem ganhar algo ou evitar perdas reais. É uma forma lúdica e efetiva de promover educação digital em massa.”
A estratégia da Mastercard se sustenta sobre três pilares: avaliação de riscos, proteção tecnológica e educação do ecossistema. “Queremos permitir que todos — desde o usuário final até os grandes parceiros — possam navegar com confiança no mundo digital. Essa é nossa missão.”
Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais