
O sistema financeiro brasileiro está passando por uma transformação silenciosa e profunda. Ao contrário do que muitos esperam, não é apenas a tecnologia que está redesenhando o setor, mas sim a combinação entre inteligência artificial (IA), contexto local e empoderamento do consumidor. Esse é o principal alerta do relatório “Empowered Customer Journeys”, lançado pela Box1824 em parceria com a CI&T e apresentado com exclusividade durante a Febraban Tech 2025.
O estudo traça cinco grandes tendências que devem moldar o futuro das finanças no Brasil e revela que, para os bancos se manterem relevantes, será preciso mais do que algoritmos sofisticados — será necessário escutar melhor, adaptar-se ao contexto real do brasileiro e devolver o controle ao consumidor.
A hiperpersonalização não é mais um diferencial, mas uma exigência. Num país onde 8 em cada 10 famílias estão endividadas, metade dos trabalhadores atua na informalidade e menos de 20% da população adulta concluiu o ensino superior, é impossível inovar sem levar em conta a realidade social e educacional. A tecnologia precisa ser empática. E é aqui que entra a inteligência artificial bem aplicada.
IA que empodera: o papel dos times de TI
Por trás dessa nova geração de serviços financeiros, os profissionais de tecnologia da informação (TI) ocupam um papel cada vez mais estratégico. Deixam de ser apenas executores de projetos e tornam-se tradutores de comportamentos em soluções digitais inteligentes. São eles que fazem a ponte entre os dados e as decisões que importam.
A IA, quando integrada com sensibilidade cultural e pensamento de design centrado no usuário, tem o potencial de transformar radicalmente a relação entre clientes e instituições financeiras. Mas essa transformação só será possível com profissionais capacitados e engajados com os desafios do Brasil real.
São esses especialistas que desenvolvem interfaces adaptáveis ao nível de letramento digital, criam simuladores empáticos que educam sem julgar, implementam sistemas de proteção automática contra erros financeiros e constroem dashboards inteligentes que ajudam o usuário a tomar decisões com segurança.
Mais do que isso: são os times de tecnologia que tornam viável um sistema bancário que fala a linguagem das pessoas, respeita suas origens e entrega soluções com propósito.
5 tendências que refletem um novo modelo bancário
O relatório da Box1824 e CI&T apresenta cinco tendências principais, todas conectadas à realidade brasileira e às possibilidades abertas pela IA:
- Autonomia como força de escolha: o consumidor quer decidir, não ser conduzido. Soluções modulares e intuitivas são o novo padrão.
- Transparência como ativo de confiança: a simplificação vira ferramenta de fidelização. Interfaces didáticas, simples e diretas destacam-se em meio aos estigmas de morosidade e dificuldade de resolução de problemas nos bancos.
- Conexão que gera pertencimento: design com sotaque, serviços com identidade local e narrativas que refletem a diversidade de quem somos.
- Capacidade como forma de poder: aprender enquanto se usa o serviço vira requisito, com UX pedagógica e linguagem acessível. Além de um bom funcionamento do sistema, ele deve se adequar ao usuário e descomplicar e explicar termos e conceitos que educam esse usuário.
- Propósito como critério de escolha: finanças alinhadas a causas sociais, ambientais e culturais ganham força.
O futuro é brasileiro — e está em boas mãos
Apesar dos desafios estruturais, o Brasil tem tudo para ser protagonista dessa nova era da inteligência financeira. Com 81% da população conectada à internet e um dos ecossistemas bancários mais digitais do mundo, temos o que é preciso: escala, criatividade e, sobretudo, profissionais de TI capacitados para transformar o setor de dentro para fora.
Isso reforça a demanda por controle na palma da mão, com aplicativos que funcionem como verdadeiros painéis de comando financeiros. Com uma cultura fortemente centrada em smartphones, as ferramentas já estão na mão. Falta agora adaptá-las ao contexto real de quem mais precisa.
A revolução do setor bancário não será feita apenas por robôs ou códigos, essa mudança será liderada por pessoas que entendem de tecnologia e, principalmente, de gente. E nesse cenário, o protagonismo dos profissionais brasileiros é inegociável.
Leandro Angelo, sócio e vice-presidente Latam da CI&T.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais