
Imagine tentar construir um arranha-céu sobre uma base de areia. Por mais arrojado que seja o projeto, por mais modernos que sejam os materiais, ele corre risco de ruir. O que muitos não percebem é que estamos prestes a cometer o mesmo erro com a economia digital no Brasil, e isso por um motivo aparentemente invisível: a escassez de profissionais de Tecnologia da Informação.
A transformação digital virou prioridade estratégica para empresas de todos os setores. Inteligência Artificial, segurança cibernética, computação em nuvem e dados em tempo real estão na pauta diária de CEOs, CIOs e líderes de governo. Mas um ponto crítico continua sendo deixado para depois: quem, afinal, vai operar essa nova economia?
Veja também: Liderança que protege: o papel do CEO na segurança da informação
Cabo de guerra global por talentos
Organizações pelo mundo estão competindo pelo mesmo perfil de talentos e os profissionais brasileiros, com boa formação, são disputados por empresas globais. De acordo com o guia salarial Robert Half de 2024, a remuneração inicial para o setor de TI no Brasil é de de R$3.400 e pode chegar a R$6.200. Ao mesmo tempo, as lideranças, ou profissionais altamente especializados do setor, podem ganhar até R$51.000. O montante demonstra a alta demanda e valorização deste perfil, uma vez que esse especialista é frequentemente recrutado para vagas remotas fora do País. Em outras palavras, o Brasil não enfrenta apenas um déficit, também estamos perdendo talentos para o mercado global.
A escassez se agrava diante da sofisticação das novas tecnologias. A chegada da Inteligência Artificial generativa, os avanços em computação quântica e a complexidade crescente dos ataques cibernéticos não apenas ampliam a demanda, mas também elevam o nível de especialização exigido. Já não basta conhecer o básico. É preciso saber inovar, prever e reagir com rapidez.
Uma conta que não fecha
Há alguns anos a Brasscom realizou um estudo que previa a necessidade de 797 mil novos profissionais de tecnologia no Brasil até 2025. Já um levantamento da McKinsey, indica que o País pode enfrentar uma escassez de 1 milhão de especialistas até 2030. Na prática, isso significa que, se nada mudar, vamos conseguir atender pouco mais de um terço da demanda. Esse descompasso compromete a execução de projetos, atrasa a inovação e pressiona ainda mais os poucos profissionais disponíveis.
E não se trata apenas de números. O risco real é o de um apagão técnico que impacta diretamente a produtividade, a competitividade das empresas e o crescimento do país. A base do futuro está comprometida por um gargalo de formação que não pode mais ser ignorado.
Educação como infraestrutura
Resolver esse problema exige um esforço coordenado entre governo, iniciativa privada e instituições de ensino. O poder público precisa tratar a educação tecnológica como infraestrutura, tão essencial quanto energia elétrica ou rodovias. Isso significa ampliar o acesso, modernizar currículos e investir na formação de professores desde o ensino básico até o ensino superior.
As instituições educacionais devem se aproximar do mercado, entender as habilidades realmente demandadas e criar trajetórias mais dinâmicas e adaptáveis. Já as empresas precisam incentivar uma cultura de aprendizado contínuo, capacitando suas equipes não apenas para o presente, mas para o que vem logo ali.
Gente vem antes da tecnologia
Não existe transformação digital sem transformação humana. Antes de pensar em IA, blockchain ou automação, é preciso garantir que existam pessoas preparadas para construir, operar e liderar esses avanços. Sem isso, qualquer estratégia de inovação está fadada a tropeçar em sua base.
O tempo está correndo. E a pergunta que todos os setores deveriam estar fazendo é: o que estamos fazendo hoje para garantir que o Brasil tenha os cérebros certos para sustentar o futuro que queremos?
Terceirização força diante da escassez de profissionais
Quando pensamos que tecnologia e negócios caminham lado a lado, a terceirização da gestão de TI passa a ser uma alternativa utilizada por muitas empresas que desejam crescer com eficiência e segurança, especialmente diante da escassez de profissionais qualificados no mercado.
A dificuldade em atrair e reter talentos tem levado organizações de todos os portes a buscar parceiros estratégicos capazes de suprir essa lacuna com equipes multidisciplinares e atualizadas. Ao transferir essa responsabilidade para especialistas, setores como saúde e educação ganham acesso a tecnologias de ponta, suporte contínuo e respostas ágeis, sem depender exclusivamente da contratação interna. É uma solução inteligente para quem quer inovar, mesmo em um mercado desafiador.
Kishore Kumaar, country manager da ManageEngine Brasil.
Inscreva-se em nosso canal do Whatsapp e tenha acesso as principais notícias do mercado.
Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais