
A gripe aviária, causada por subtipos altamente patogênicos do vírus Influenza, como o H5N1, voltou a preocupar o Brasil. Após um grande foco em aves comerciais no Sul do país, novos casos vêm sendo registrados em outras regiões, afetando tanto aves silvestres quanto criações domésticas. Embora o risco para a população ainda seja considerado baixo, autoridades intensificam o monitoramento e ações preventivas em todo o território nacional.
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Sudeste: casos em zoológicos e parques movimentados
O Rio de Janeiro confirmou um surto no BioParque, localizado na Quinta da Boa Vista, na capital fluminense. Desde o início de julho, morreram 22 aves, entre elas galinhas-d’angola, pavões, marrecos e uma maritaca. As análises laboratoriais confirmaram a presença do vírus H5N1. Como medida de segurança, o zoológico foi temporariamente fechado ao público e as aves afetadas foram eliminadas.
Em São Paulo, o vírus foi identificado em aves silvestres no Parque Ibirapuera, um dos mais visitados do Brasil. Três aves aquáticas (dois irerês e um socó) apresentaram sinais do vírus, com dois testes positivos já confirmados. As autoridades reforçaram a educação sanitária no local, orientando os visitantes a não se aproximarem de animais mortos ou debilitados.
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Já em Minas Gerais, o município de Esmeraldas registrou um caso em uma criação doméstica de galinha, criada para consumo próprio. Embora sem ligação com a produção comercial, a área foi isolada e monitorada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para evitar a propagação.
Nordeste: foco em criações de subsistência no Ceará
No Ceará, a cidade de Quixeramobim confirmou a presença do vírus H5N1 em aves criadas em quintais. A propriedade foi isolada e todas as aves foram eliminadas, conforme prevê o Plano Nacional de Contingência de Influenza Aviária. Investigações adicionais seguem em propriedades próximas para rastrear eventuais conexões entre criações.
As autoridades cearenses ressaltam que o consumo de carne de aves e ovos continua seguro e não representa risco, já que a transmissão da gripe aviária ocorre apenas em contato direto com aves doentes ou ambientes contaminados.

Centro-Oeste: Goiás também confirma presença do vírus
Em Goiás, o primeiro caso foi confirmado em Santo Antônio da Barra, onde cerca de 100 galinhas apresentaram sintomas como dificuldade respiratória. O foco também envolvia aves de fundo de quintal e não afeta a cadeia produtiva comercial. A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) isolou a área e iniciou uma série de ações emergenciais, incluindo vigilância em um raio de 10 quilômetros e suspensão de feiras com aves vivas.
Outro caso notificado no estado, em Montes Claros de Goiás, foi posteriormente descartado após análises laboratoriais.
Sul: histórico recente de caso em granja comercial no RS
O Sul do Brasil foi o primeiro a registrar um caso preocupante de gripe aviária em uma granja comercial, em Montenegro (RS), ainda em maio. Após a eliminação das aves infectadas e o cumprimento do protocolo sanitário de 28 dias sem novos registros, o país foi declarado livre da influenza aviária em junho, retomando a normalidade nas exportações de carne de frango e ovos.
Vale lembrar que, diante da expansão dos casos, o Instituto Butantan recebeu autorização da Anvisa para iniciar testes em humanos com uma vacina contra o vírus H5N8. O imunizante será testado em 700 voluntários nas fases 1 e 2 em centros de pesquisa em Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. Segundo especialistas do Butantan, a preparação é fundamental para evitar o cenário de uma nova pandemia, caso o vírus sofra mutações e se torne transmissível entre humanos.
A disseminação da gripe aviária pelo Brasil (com registros no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste) acende o alerta para a necessidade de vigilância constante e educação da população.
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