
O ambiente digital das empresas brasileiras vive sob pressão constante. A expansão das operações conectadas, combinada ao aumento na superfície de ataque e à sofisticação das ameaças cibernéticas, tem colocado a resiliência da infraestrutura de rede no centro das decisões estratégicas.
Segundo o relatório mais recente da NETSCOUT, o Brasil registrou 1.066.035 ataques DDoS no segundo semestre de 2024, o que representa um crescimento de 29,83% em relação ao primeiro semestre do mesmo ano. Esses números refletem uma média superior a 5.790 ataques por dia, confirmando o país como um dos principais alvos de ciberataques na América Latina.
Esse volume alarmante mostra que não estamos apenas lidando com frequência crescente de ataques, mas também com a urgência de adotar uma postura mais robusta e inteligente na proteção da rede. Durante muito tempo, a segurança digital foi tratada como algo periférico: baseada em soluções pontuais, ações reativas e barreiras isoladas. Mas esse modelo perdeu a eficácia.
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Hoje, lidamos com tráfego dinâmico, acessos remotos e distribuídos e ataques cada vez mais silenciosos e automatizados. Por isso, construir resiliência exige mais do que ferramentas é preciso uma arquitetura capaz de oferecer visibilidade em tempo real, segmentação inteligente e respostas rápidas. Segurança não pode mais ser um acessório. Ela precisa estar integrada desde a concepção da rede.
As empresas que vêm redesenhando suas estruturas de rede nesse novo cenário têm adotado uma abordagem que integra governança, automação, inteligência de tráfego e proteção contínua. Em vez de confiar em medidas isoladas, essas companhias investem em estruturas coordenadas, com mecanismos capazes de mitigar incidentes antes que eles comprometam a operação.
Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor. De acordo com o Gartner*, até 2026, 60% das funções de cibersegurança estarão utilizando métodos de avaliação de risco com foco no impacto nos negócios, o que representa um avanço importante na integração entre arquitetura técnica e objetivos estratégicos da empresa. A infraestrutura de rede passa, assim, a ser não apenas um ativo operacional, mas um elemento-chave na proteção da continuidade e no suporte à performance corporativa como um todo.
Na prática, isso significa projetar redes capazes de se adaptar à realidade de cada operação, mantendo controle granular sobre ambientes críticos, garantindo resiliência entre unidades distribuídas e sustentando o tráfego com inteligência e flexibilidade. É nesse nível de maturidade que a segurança passa a ser uma competência estrutural, e não apenas uma medida defensiva.
Mais do que uma resposta à ameaça imediata, o fortalecimento da infraestrutura de rede é hoje parte da estratégia de continuidade e inovação das empresas. À medida que tecnologias como IA, automação e ambientes distribuídos se consolidam como padrão nos modelos operacionais, a solidez da rede passa a ser um fator determinante para garantir disponibilidade, escalabilidade e segurança em todos os pontos da operação.
No Brasil, esse movimento já começa a se consolidar em setores como telecomunicações, finanças e varejo, justamente onde a operação depende de redes seguras e ininterruptas. Mas o desafio é abrangente, e todas as empresas que operam em um ecossistema digital precisarão, mais cedo ou mais tarde, redesenhar suas estruturas com foco em continuidade.
Porque, como o próprio mercado tem mostrado, não há inovação, escalabilidade ou vantagem competitiva que se sustente sobre uma rede vulnerável.
Luiz Eduardo, especialista em segurança de rede da Binario.net.
Fonte: Gartner Hype Cycle for Cyber Risk Management 2024
Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais