
O Bradesco está conduzindo uma das maiores transformações organizacionais do setor bancário nacional. Iniciada em 2024, a estratégia busca reposicionar o banco para os desafios da próxima década por meio de uma reestruturação cultural, organizacional e tecnológica. A iniciativa envolve frentes como tecnologia, modelo ágil, gestão de cultura e modernização de plataformas, sempre com foco em resultados mensuráveis e experiência do cliente.
Francesco Di Marcello, diretor executivo do Bradesco, destaca que a transformação é sustentada por pilares como o modelo Agile@Scale, que reúne negócios e tecnologia em times multidisciplinares com entregas ágeis e metas compartilhadas. “Estamos entregando novas funcionalidades de negócios em até 40 dias, com operações mais eficientes e maior aproveitamento de talentos internos”, afirma. Desde o início do programa, mais de 2.100 profissionais de tecnologia foram contratados, aumentando a capacidade técnica e acelerando o desenvolvimento.
O uso de inteligência artificial ocupa papel central nessa mudança. Segundo Francesco, a IA já apoia desde a escrita de histórias de usuários por Product Owners até a codificação com copilotos, resultando em ganhos de até 47 pontos percentuais na qualidade das entregas. A assistente virtual BIA, baseada em IA generativa, atende hoje a 24 milhões de clientes e 100% dos funcionários.
IA agêntica: próxima fronteira da transformação
Além da modernização tecnológica, o Bradesco tem apostado na chamada IA agêntica, uma nova geração de inteligência artificial que age de forma autônoma, planeja, toma decisões e executa tarefas com base em objetivos definidos. Essa tecnologia já vem sendo testada no banco com resultados expressivos: em pilotos, agentes atuaram como Product Owners e desenvolvedores em jornadas como Informe de Rendimentos PJ e Amortização Antecipada de Crédito Imobiliário, aumentando a produtividade em até 30%.
Outro destaque é o modelo RendaBRA, criado pela startup Kunumi (adquirida pelo Bradesco), que estima a renda de correntistas e não correntistas em poucos dias, um processo que antes levava até nove meses. O impacto estimado é de R$ 250 milhões por ano.
Francesco ressalta que a adoção da IA agêntica traz também novas responsabilidades. “Temos um framework de governança baseado em ISO, NIST e OECD, com foco em ética, segurança e supervisão humana. A IA apoia a decisão, mas não substitui o julgamento crítico do gestor”, afirma. Nesse novo cenário, ele destaca que os líderes passam a orquestrar ecossistemas inteligentes, atuando com foco em valor e visão estratégica.
Pessoas no centro da mudança
A aceitação da tecnologia pelos colaboradores tem sido positiva, impulsionada por programas de capacitação, cultura de inovação e resultados visíveis. A BIA Corporativa, por exemplo, resolve mais de 80% das dúvidas internas no primeiro contato.
Para Francesco, a IA não elimina empregos, mas transforma funções. “Acreditamos em ‘people empowered by AI’. A tecnologia libera tempo para atividades estratégicas e o Brasil vai precisar de mais de 500 mil profissionais de tecnologia nos próximos anos. Estamos investindo nisso.”
Segundo ele, o Bradesco não trata a IA agêntica como uma ferramenta, mas como um vetor cultural e organizacional. “Estamos construindo uma nova forma de operar, com mais agilidade, inteligência e foco no cliente. A transformação não é mais sobre o futuro. Ela já está acontecendo.”
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais