
A cibersegurança consolidou-se como um tema central e inegociável para o setor financeiro há nos. No entanto, especialmente com o avanço das inteligências artificiais (IA) e o consequente aumento das preocupações com a rotina digital, a urgência da temática está se amplificando. Essa realidade foi intensamente debatida na Febraban Tech, evento que reuniu as principais instituições financeiras, fintechs e empresas que operam em ambientes de alta criticidade digital.
Durante o evento, dados reforçaram a relevância do tema: as perdas estimadas causadas por ataques cibernéticos no Brasil atingem a cifra impressionante de R$ 2,3 trilhões, segundo o Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC). Em 2024, o custo médio de uma violação de dados no setor financeiro global foi de US$ 4,88 milhões, conforme o Cost of a Data Breach Report da IBM.
Novos levantamentos do Cyber Fusion Center (CFC), da Asper, destacam a vulnerabilidade do setor no país. Instituições financeiras brasileiras sofrem, em média, 1.774 ataques semanais por organização, superando a média global de 1.696 ataques. Além do impacto financeiro direto, o tempo médio para detectar e conter uma ameaça é de 277 dias, segundo o estudo da IBM, o que não só coloca em risco dados sensíveis, mas também a confiança de clientes e investidores.
Considerando que o Brasil se destaca como líder regional em volume de ataques e investimentos, respondendo por 68% dos incidentes reportados em 2023, e contando com um mercado local avaliado em US$ 3,3 bilhões e com projeção para crescimento de cerca de 10% ao ano até 2029, alcançando US$ 5,5 bilhões, fica nítido que a proteção de dados é um fator crítico para a economia e a confiança no mundo dos negócios.
Investimento e inovação em destaque
Diante desse cenário desafiador, a Febraban Tech foi palco para a apresentação de diversas soluções impulsionadas pela inteligência artificial. Empresas de cibersegurança estão desenvolvendo ofertas específicas para o setor financeiro, que incluem:
Arquitetura Zero Trust: um modelo de segurança que exige verificação rigorosa para todo usuário e dispositivo que tenta acessar recursos na rede.
Detecção e respostas orientadas por IA: utilização de algoritmos de inteligência artificial para identificar e auxiliar a neutralizar ameaças de forma mais rápida e eficiente.
Criptografia avançada e algoritmos resistentes ao cenário quântico: preparação para futuras ameaças que podem surgir com o desenvolvimento da computação quântica.
Automação da gestão de identidades e acessos: otimização do novo control plane de segurança, a identidade, controlando e adaptando controles ao contexto da identidade de forma dinâmica.
Programas contínuos de educação e conscientização: busca por modelos mais eficientes de educação dos colaboradores em um contexto aonde a IA torna ataques de phishing e vishing mais complicados e sofisticados.
Em 2024, os bancos do país destinaram aproximadamente R$ 4,7 bilhões para cibersegurança, o que representa cerca de 10% de seus orçamentos totais de tecnologia. Se é inegável que a cibersegurança é um pilar fundamental nos negócios, a novidade é que os parceiros de negócios estão auditando uns aos outros em busca de um nível mínimo de segurança para fechamento de contratos, com isso o ecossistema financeiro não está mais aceitando parceiros de negócio que não tenham um programa de segurança.
Os avanços e investimentos apresentados na Febraban Tech mostram que o setor financeiro brasileiro está no caminho certo, priorizando a inovação, mas sempre com foco na proteção de dados, ativos e, acima de tudo, na confiança dos clientes e do mercado.
João Saud, Co-CEO da Asper.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais