
O Street Smart São Paulo 2025, realizado pela Rimini Street, reuniu cinco líderes de tecnologia para debater caminhos de modernização e inovação dos sistemas empresariais. Durante o painel “CIOs: Desafios de Modernização e Inovação”, cada executivo expôs dilemas sobre sustentação de ERPs legados, adoção de IA e pressão por resultados rápidos em ambientes cada vez mais complexos. O painel contou com a participação de Edenize Maron, GVP, Regional GM, LATAM da Rimini Street, Daniela Zanfolin, Superintendente de TI da Rodobens, João Cerqueira, VP, Solution Consulting LATAM da ServiceNow, Geraldo Pereira, CIO da Ypê e Renan Santos, CIO da Apsen Farmacêutica.
Edenize abriu a conversa lembrando o dilema que muitos CIOs enfrentam: justificar ao conselho a extensão da vida útil do ERP ou dar sinal verde a um upgrade, decisão que, segundo ela, envolve muito mais que orçamento; exige priorizar projetos capazes de gerar valor imediato ao negócio.
Como mediadora, a executiva insistiu na importância de olhar além do “core” de ERP e entender o papel vital das integrações, área que, na sua avaliação, costuma carregar grande complexidade e ser determinante para a segurança e a interoperabilidade de toda a arquitetura. Ao citar projetos conduzidos pela Rimini, frisou que escolher processos críticos como prova de conceito acelera a percepção de valor e engaja as áreas de negócio.
ERP legado com inovação modular e IA para acelerar ganhos de eficiência
Ao descrever o ecossistema da Rodobens, que combina varejo automotivo com serviços financeiros, Daniela Zanfolin contou que a empresa está há quase 20 anos no SAP e há quase dez com a Rimini Street. O dilema recente foi claro: migrar ou não o ERP. Decidiu-se manter o ECC, mas só após um estudo comparativo que ponderou riscos de segurança, obsolescência e impactos na produtividade dos times.
A superintendente explicou que a companhia adotou uma visão “composable”, reforçando a camada de APIs, microserviços e data lake para abstrair a complexidade do SAP e liberar inovação em ritmo mais ágil. O roadmap, segundo ela, inclui revisões de dois em dois anos, em diálogo com o board, para reavaliar indicadores de evolução e riscos de continuidade.
Pressionada por eficiência e por um programa interno de IA, Daniela relatou que já há um terço da força de trabalho interagindo com agentes inteligentes. Os primeiros casos?piloto, com ganhos de até 50 % em tempo de processo, tornaram-se vitrine interna e elevaram a cobrança por governança, segurança e escalabilidade das integrações com o ERP.
Modernização acelerada com foco em crescimento sustentável e automação
Geraldo Pereira lembrou que o plano estratégico “77” da Ypê prevê dobrar de tamanho entre 2022 e 2028, exigindo que TI seja propulsora, nunca barreira, desse crescimento. Para retirar a obsolescência do parque, o CIO conduziu em oito meses a migração para o S/4HANA on-premise, apoiada pela Rimini Street, e agora concentra esforços em sustentar a plataforma enquanto acelera a geração de novos negócios.
Ele citou iniciativas anteriores que já posicionam a companhia como heavy user de automação: o centro de distribuição totalmente robotizado e a assistente virtual “Iara”. O próximo passo, em parceria com ServiceNow e Rimini Street, é agilizar o processo order-to-cash, identificando ruptura de gôndola e priorizando entregas, para beneficiar tanto varejistas quanto consumidores.
Para Geraldo, qualquer investimento em tecnologia precisa obedecer ao mantra “seguro, responsável e financeiramente viável”. Essa tríade, afirma, baliza decisões que vão de IA generativa a plataformas tradicionais, garantindo retorno enquanto preserva margens e metas de ESG.
Alinhamento entre tecnologia e estratégia para escalar digitalização com governança
Renan Santos destacou o contraponto entre forte influência do board e pouco conhecimento técnico. Para avançar, diz, o CIO apresenta caminhos “A, B e C”, sempre sustentados por referências como o Gartner. Essa abordagem permitiu propor a combinação SAP + ServiceNow como arquitetura-alvo, desenhando um time único de plataforma em vez de silos de especialidade.
Após um piloto entregue em duas semanas, a Apsen lançou uma RFP para escalar a digitalização de processos de negócio. O resultado expôs a falta de integração entre fornecedores: apenas a Rimini apresentou proposta unificada. A experiência levou a farmacêutica a reorganizar parceiros e equipes, mirando uma digitalização eficiente e governada.
Governança de IA e interoperabilidade como base para inovação responsável
João Cerqueira contextualizou a ServiceNow como “torre de controle de inteligência” das empresas, defendendo uma arquitetura que combine dados disponíveis (“workflow data fabric”), governança de IA e interoperabilidade com múltiplos sistemas. Para ele, o mito da alucinação se resolve quando modelos são alimentados com dados corretos e guard-rails adequados.
O executivo listou três pilares para adoção segura de IA: governança, para definir quem pode acionar quais agentes, segurança para proteger ativos sensíveis e interoperabilidade para conectar diferentes inteligências via APIs e machine learning. Essa orquestração, reforçou, transforma dados em contexto e o contexto em ação de negócio.
Encerrando, Cerqueira celebrou o caso global da parceria Rimini Street + ServiceNow na Apsen, usado pela matriz americana como prova de que é possível inovar rápido sem descartar investimentos já feitos em ERP.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais