
Estamos à beira de uma nova era na infraestrutura bancária. Mais do que digitalizar agências e aplicativos, estamos transformando o próprio núcleo do sistema financeiro: agora a própria moeda está se tornando digital. E essa transformação está nos levando a um cenário onde pensar em múltiplas moedas será a nova norma.
Para além dos projetos das CBDCs (Central Bank Digital Currency), como nosso Drex, o real digital, são as stablecoins privadas que estão liderando a inovação. Esse novo mundo exige uma nova postura tecnológica: plataformas capazes de lidar, de forma fluida e segura, com ativos de naturezas diferentes. Esse será o diferencial das instituições financeiras que desejam acompanhar a velocidade da inovação.
E toda tecnologia nasce complicada, restrita a especialistas. Mas chega um momento em que ela amadurece e se torna parte do cotidiano — sem que a gente perceba os bastidores. Estamos vivendo esse ponto de inflexão no mercado financeiro.
Antes, para operar com ativos digitais, era preciso entender de blockchain, ter carteira própria e lidar com jargões técnicos. Com as recentes evoluções e conexões de instituições financeiras tradicionais ao mundo das stablecoins, o cliente já pode enviar e receber valores internacionais, manter saldo em dólar digital e converter moedas com poucos toques, como se estivesse usando sua conta tradicional.
A tecnologia permite que as transações sejam feitas em segundos, com custos muito menores e sem depender de grandes estruturas internacionais.
Essa transição — da complexidade à conveniência — é o que torna essa nova etapa tão poderosa. Não se trata de uma revolução distante ou para poucos. É uma evolução natural, que reduz barreiras e amplia o acesso à economia digital global.
E isso é apenas o começo. Com a base tecnológica já acessível, novos usos surgirão rapidamente: dinheiro programável, integração com contratos inteligentes, uso direto em smartphones e até operações de finanças descentralizadas (DeFi) — tudo isso com a segurança, a experiência e a regulação que os usuários esperam.
Nesse novo cenário, a grande questão não é apenas tecnológica. É estratégica: suas plataformas estão preparadas para operar com múltiplas moedas? Estão prontas para integrar inovação, regulação e experiência do cliente em um só fluxo?
As instituições que responderem “sim” sairão na frente — entregando valor de forma simples, segura e global. Afinal, o dinheiro do futuro será instantâneo, transparente e programável. E a transformação já começou. O desafio agora é acompanhá-la — com visão, responsabilidade e ação.
Bruno Samora, Diretor de Produtos da Matera.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais