
Oferecendo vitrine, logística e intermediação financeira, os marketplaces se tornaram parte do nosso dia a dia ao conectar milhões de consumidores e vendedores e movimentar bilhões de reais. Afinal, quem nunca pediu comida por um app ou fez uma reserva online? Mas, junto com a praticidade desses ecossistemas digitais, surgiram também novos desafios, principalmente quando falamos em segurança e fraudes. A combinação entre consumidores com pressa e prestadores de serviços despreparados para lidar com golpes cada vez mais sofisticados criou um cenário fértil para atividades criminosas.
No mundo da tecnologia, muito se fala sobre crescer e escalar rapidamente. Mas nem sempre se dá a devida atenção aos riscos que vêm junto com esse crescimento – mais usuários, mais dados e mais transações significam também mais responsabilidade. Gerenciar um negócio online exige olhar constante para a segurança digital, porque quem comete fraudes também inova, e rápido. E hoje, não basta saber quem está entrando na plataforma: é essencial acompanhar, de perto, quem já está lá dentro.
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Contas falsas, vendedores fantasmas e esquemas de lavagem de dinheiro colocam em xeque a confiança no ecossistema e impactam diretamente tanto os consumidores quanto os empreendedores legítimos. No Brasil, enfrentamos ainda uma série de desafios próprios, como a alta informalidade, a falta de padronização dos dados, o uso comum de documentos de terceiros e grupos criminosos altamente especializados. E há particularidades bem brasileiras: fraudes que envolvem o uso intenso do WhatsApp (que facilita golpes fora da plataforma) e do Pix (com suas transferências instantâneas e irreversíveis). No Telegram, existe até um mercado paralelo de Fraud as a Service (“Fraude como Serviço”), impulsionado por vazamentos frequentes de dados. Além disso, há documentos forjados, fraudes logísticas e o uso da confiança típica das negociações informais como arma. Muitas vezes, aliás, o golpe no marketplace é só o primeiro passo de fraudes ainda maiores no sistema financeiro.
É por isso que ferramentas de verificação contínua e monitoramento de riscos ao longo da jornada de compra são tão importantes. Elas ajudam a antecipar fraudes e a identificar padrões que, à primeira vista, poderiam passar despercebidos. Cada usuário deixa rastros valiosos em uma plataforma, como localização de IP, documentos apresentados e até imagens – sempre com o devido consentimento. Quando essas informações são cruzadas e analisadas com atenção, fica muito mais fácil distinguir quem está ali de boa fé de quem não está. E essa diferença pode ser decisiva para a sobrevivência de qualquer negócio online, onde confiança é tudo.
Mas é importante lembrar: um bom sistema de segurança não existe para dificultar a vida de quem está agindo corretamente. Pelo contrário – ele deve ajudar o negócio a crescer de forma saudável, facilitando e agilizando as transações legítimas. A ideia é reduzir qualquer atrito desnecessário, pedindo de cada pessoa apenas as informações realmente relevantes para o seu caso. Esse é o princípio do “modelo baseado em risco”: aplicar camadas de verificação conforme o comportamento do usuário indicar necessidade, como mudanças suspeitas de IP, uso simultâneo de várias contas ou informações contraditórias. Assim, a plataforma foca onde o risco é maior, tornando o processo mais eficiente, justo e fluido.
E a boa notícia é que implementar esses mecanismos de segurança não precisa ser complicado nem inviável, mesmo para negócios menores. Já existem tecnologias globais de ponta que são fáceis de integrar e altamente personalizáveis. Melhor ainda – elas carregam consigo o conhecimento acumulado de fraudes no mundo inteiro, permitindo que o aprendizado de um mercado beneficie o próximo.
Se antes investir em segurança digital era visto como um custo ou uma obrigação regulatória, hoje está claro que se trata de uma prioridade estratégica. Afinal, o barato pode sair bem caro. Uma fraude não afeta apenas o caixa da empresa – ela pode comprometer sua reputação e a relação com clientes e parceiros. E, em um setor no qual a confiança é o principal ativo, isso pode ser fatal.
Andrea Rozenberg, General Manager da Veriff no Brasil.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais