
Tem sido cada vez mais comum ver jovens da Geração Z assumindo cargos de liderança. Nascidos entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010, eles chegam ao topo com uma visão de mundo que desafia estruturas tradicionais e que, muitas vezes, é alvo de críticas. Há quem questione sua postura mais pragmática diante da autoridade, sua relação com o tempo, ou a prioridade que dão à saúde mental.
Mas, para quem observa o mercado com atenção, é impossível ignorar o impacto positivo dessa geração. Eles nos lembram que a produtividade não precisa vir à custa do bem-estar. Que qualidade de vida é, sim, uma pauta corporativa. E que equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é fraqueza. É maturidade. Questões das quais, particularmente, sou grande defensor.
Enquanto nos adaptamos ao olhar inquieto e assertivo da Geração Z, uma nova onda já se forma: a Geração Alpha. Nascidos a partir de 2010, esses jovens são os primeiros a crescer 100% imersos em um mundo digital. São filhos da Geração Y e irmãos mais novos da Z e herdam, com naturalidade, tanto a fluência tecnológica quanto os debates mais profundos sobre propósito, ética e sustentabilidade. Eles serão os próximos profissionais a entrarem nos escritórios e sacudirem nossas certezas.
Falo sobre isso não apenas como executivo, mas – principalmente – como pai de uma adolescente da Geração Alpha. A convivência com eles é, todos os dias, uma aula de curiosidade, autonomia e conexão. Eles nos fazem enxergar que o mundo mudou e que não faz sentido aplicar fórmulas antigas em realidades tão diferentes.
A Alpha não conhece um mundo sem smartphones, algoritmos e inteligência artificial. Desde cedo, interagem com dispositivos que respondem por voz, aprendem com conteúdos personalizados por IA e se expressam em múltiplos formatos. São impactados, ao mesmo tempo, por milhares de informações em diversas plataformas. Para eles, o digital não é uma ferramenta. É o ambiente natural.
Mas não se trata apenas de tecnologia. A Geração Alpha tende a ser ainda mais exigente em relação à coerência, diversidade, inclusão e impacto real. Eles parecem querer aprender de forma mais fluida, trabalhar com mais autonomia e se envolver em projetos com sentido genuíno. Muitos criarão seus próprios caminhos e desafiarão, de novo, o que entendemos por “carreira” – que, vamos combinar, vem tendo suas “regras” subvertidas a todo momento.
Como líderes, precisamos parar de apenas reagir às transformações e começar a nos antecipar. Observar essas gerações é uma maneira de entender para onde o mundo está indo e, mais importante, qual é o papel que queremos ocupar nesse novo cenário. A Geração Alpha já está chegando às portas dos escritórios e logo será mais uma entre as tantas vozes que hoje compõem ambientes corporativos multigeracionais.
E talvez o maior desafio – e também a maior riqueza – das organizações contemporâneas seja justamente essa convivência entre gerações com repertórios, linguagens e expectativas tão diferentes. Saber ouvir, valorizar e integrar essas múltiplas perspectivas pode ser o grande diferencial das empresas que realmente querem construir o futuro, em vez de apenas reagir a ele.
Fabrício Oliveira, CEO da Vockan.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais