
A inovação no varejo supermercadista vai além de novas tecnologias. Empresários que conhecem suas operações de perto e que sabem, na prática, o que seus clientes procuram. Em muitos casos, são décadas de experiência acumulada, atravessando transformações do mercado, mudanças no perfil de consumo e diversos desafios econômicos. Tudo isso sem perder de vista a essência: servir bem, estar próximo da comunidade e manter o negócio sustentável.
Neste cenário, a inovação surge como grande aliada nos ganhos de qualidade, eficiência, redução de despesas e aumento do faturamento. Um meio, por exemplo, de aprimorar processos, otimizar a gestão de estoques, reduzir perdas, e de analisar e compreender o comportamento do consumidor nas lojas.
Durante os encontros regionais da APAS com supermercadistas de diferentes portes e localidades, temos percebido que conhecer e valorizar o propósito e a cultura do varejo enquanto elo de confiança entre produtores, marcas e consumidores pode ser um motor da inovação. O empresário incorpora a inovação também como forma de reforçar seu papel estratégico de referência de suprimento das necessidades de sua comunidade e de gerador de empregos e renda. A inovação, nesse sentido, passa a ter um conceito mais amplo.
Respeitar a trajetória do supermercadista é parte essencial de qualquer processo de transformação. Mas é preciso avançar para não perdermos o passo. A Pesquisa de Inovação CNC 2024, sobre inovação no comércio, serviços e turismo, aponta que o setor demonstra criatividade e potencial, mas ainda enfrenta barreiras estruturais. Entre elas, destacam-se os altos custos, a carência de políticas de fomento à inovação e a dificuldade de encontrar profissionais preparados e aculturados à inovação.
Tecnologias como inteligência artificial, automação e análise de dados já começam a ser incorporadas aos modelos de negócio, sobretudo entre empresas de maior porte. Enquanto quase 70% das grandes adotam essas soluções, a adesão entre as pequenas é de apenas 35%, evidenciando a desigualdade no acesso à inovação. E não estamos falando de algo distante ou futurista. Muitas soluções estão sendo desenvolvidas em polos de tecnologia do próprio Estado de São Paulo, por startups e empresas que compreendem as dores reais do pequeno e médio varejo. O desafio, muitas vezes, é simplesmente conectar esses dois mundos. Inovar não precisa começar com grandes investimentos.
Um bom primeiro passo é entender seus próprios dados, ouvir sua equipe e buscar parcerias que falem a sua linguagem. Pequenas mudanças no dia a dia podem gerar grandes impactos no médio prazo. Por isso, a APAS tem investido em iniciativas que aproximem inovação e operação, sempre com o supermercadista no centro das decisões.
O futuro do varejo já começou e ele será construído a muitas mãos. De um lado, profissionais de inovação e tecnologia criando soluções cada vez mais inteligentes e intuitivas. Do outro, os supermercadistas trazendo a vivência, a agilidade e o olho clínico de quem conhece o negócio no detalhe. Quando esses dois universos se encontram, quem ganha é o consumidor.
A missão da inovação, nesse cenário, não é ensinar o supermercadista a fazer diferente. É dar a ele mais instrumentos para seguir fazendo o que já faz, sempre com excelência, valendo-se de ações inovadoras para se diferenciar diante de um mercado altamente competitivo. Porque, no fim das contas, a inovação mais potente é aquela que respeita a experiência e fortalece o que há de mais valioso no varejo: a confiança construída no dia a dia.
Rodrigo Mariano, Diretor de Operações, Projetos e Inovação da Associação Paulista de Supermercados (APAS).
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais