
Há cerca de um ano — no dia 29 de julho de 2024 —, chuvas intensas causaram o desabamento de parte da estrutura de uma antiga pirâmide localizada no estado de Michoacán, no México. Segundo tradições ancestrais, essa queda pode ser interpretada como um mau presságio.
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O monumento, com 15 metros de altura, teve toda a sua parede sul comprometida pelas fortes precipitações, resultando em uma pilha de escombros. A parede da laje externa, o núcleo e o muro de contenção da pirâmide também foram afetados.
“As altas temperaturas registradas anteriormente na região e a seca resultante causaram rachaduras que permitiram a infiltração de água na construção pré-hispânica”, informou o Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH), em comunicado.
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Os esforços dos especialistas do INAH estão voltados tanto para a reparação das partes danificadas quanto para a preparação da estrutura diante de possíveis novos eventos climáticos intensos.
Pirâmide do Reino de Michoacán
Essa pirâmide está localizada no sítio arqueológico de Ihuatzio e era considerada uma das estruturas mais bem preservadas da civilização do Reino de Michoacán. Na mesma região, também podem ser encontrados outra pirâmide, uma fortaleza e alguns túmulos.
Registros históricos indicam que a pirâmide danificada foi ocupada há cerca de 1.100 anos por grupos indígenas de língua náuatle. Posteriormente, o local tornou-se sede do povo P’urhépecha — conhecido por ter formado o único império que os astecas não conseguiram dominar.

Mau presságio?
Antes da chegada dos conquistadores europeus à região onde hoje se encontra o México, uma outra pirâmide do sítio de Ihuatzio também desabou. Na época, o evento foi interpretado como um mau presságio, um sinal de que os deuses estavam descontentes.
“Segundo os relatos históricos, aconteceu algo semelhante antes da chegada dos conquistadores. Para os P’urhépechas, foi porque os deuses Nana Kuerhaépiri e K’eri Kurikweri estavam chateados”, escreveu em uma publicação no Facebook Tariakuiri Alvarez, que se identifica como um membro vivo dos P’urhépecha.
Especialistas ressaltam que a preservação desse tipo de estrutura frente às mudanças climáticas é essencial para proteger o patrimônio cultural de diversas comunidades que moldaram a história dessas regiões.
“A manutenção é uma tarefa essencial nesse tipo de edifício, e o INAH continuará a realizar esse trabalho, promovendo o patrimônio cultural dos mexicanos”, conclui o instituto.
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