
Um estudo desenvolvido por cientistas da Universidade de Glasgow, na Escócia, revelou que resíduos industriais podem precisar de apenas 35 anos para se transformar em rocha. As descobertas, publicadas em abril deste ano no periódico científico Geology, apontam para um novo ciclo antropoplástico.
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Esse ciclo está relacionado ao conceito de Antropoceno, que se refere à influência humana sobre processos geológicos e ambientais, como a formação de rochas, a composição da atmosfera e a dinâmica hídrica.
Segundo os pesquisadores, a transformação de resíduos industriais em rochas ocorre devido à ação da água e do ar do oceano, que ativam minerais com cálcio e magnésio presentes nos rejeitos. O estudo destaca ainda a influência da escória nesse processo, cimentando os minerais mais rapidamente do que os sedimentos naturais.
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Impacto irreversível
De acordo com a Dra. Amanda Owen, docente na área de Ciências Geográficas e da Terra na Universidade de Glasgow e coautora do estudo, as revelações mudam o entendimento comum de que o ciclo das rochas, como processo natural, leva milhares ou milhões de anos — e isso pode ter impactos de longo prazo no planeta.
“Isso desafia nossa compreensão de como uma rocha se forma e sugere que os resíduos que produzimos na criação do mundo moderno terão um impacto irreversível em nosso futuro”, ressalta a pesquisadora em comunicado da universidade.
Análise das rochas
Os primeiros indícios da transformação da escória em rocha foram encontrados em Derwent Howe, um local repleto de rejeitos de usinas siderúrgicas, situado na costa noroeste da Inglaterra. Formações irregulares em penhascos de escória chamaram a atenção dos cientistas, que decidiram investigar o caso mais a fundo.
Após coletar amostras em 13 pontos de Derwent Howe, os pesquisadores descobriram que a escória continha depósitos de cálcio, ferro, magnésio e manganês. Quando ativados, esses elementos auxiliam na formação de cimentos naturais como calcita, goethita e brucita, acelerando a união entre os minerais e, consequentemente, a formação de rochas.

A descoberta sobre a rapidez dessa transformação veio após a análise de uma amostra que continha alumínio proveniente de uma lata de bebida. Segundo os autores, para que esse material fosse incorporado à rocha, a escória deve ter se solidificado e litificado em pouco mais de três décadas.
“Isso nos dá um prazo máximo de 35 anos para essa formação rochosa — bem dentro do período de uma única vida humana. Este é um exemplo em microescala de como toda a atividade que estamos realizando na superfície da Terra acabará registrada geologicamente como rocha. Mas esse processo está ocorrendo com uma velocidade notável e sem precedentes”, pontua o Dr. John MacDonald, também coautor do estudo.
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Fonte: Canaltech - Leia mais