
Gestores de diversas áreas sabem da importância da análise de dados (em tempo real) para decidir sobre campanhas, estratégias de vendas, planejamento dos negócios etc. O que se vislumbra para as próximas décadas do século XXI é um uso muito mais massificado dos bits e bytes com a Inteligência Artificial e suas aplicações, fazendo da capacidade de processar dados um item crucial ao funcionamento de negócios.
Mais do que nunca, a capacidade de processamento será determinante na Era da Informação. É neste ponto que a atenção aos datacenters ganha espaço, em especial o Edge Datacenter e sua capacidade de gestão descentralizada dos dados, entregando maior proximidade aos usuários. Essa arquitetura permite alto desempenho com baixos níveis de latência, proporcionando uma melhor experiência ao consumidor final e preparando o terreno para tecnologias emergentes como 5G, veículos autônomos, cidades inteligentes e aplicações industriais críticas.
O Datacenter de borda (Edge) é indicado a diferentes mercados, entre eles o de Telecomunicações, em que operadoras e provedores podem se aproximar dos usuários finais, oferecendo serviços de streaming ininterrupto e formatando produtos de valor agregado, como serviços de celulares e inúmeros dispositivos conectados via Internet das Coisas (IoT), como câmeras de videomonitoramento e sensores ambientais. O objetivo é fornecer a entrega de transporte de dados e de conteúdo mais rápida para um dispositivo final com menor latência — daí o datacenter na borda, para processamento o mais próximo possível do usuário final. Já os dados menos integrais ou centrados no tempo podem ser enviados a um datacenter central para armazenamento e organização posterior.
Veja também: Liderança que protege: o papel do CEO na segurança da informação
A oportunidade de ampliar o portfólio de produtos para o mercado B2C não é a única vantagem para prestadores de serviços e provedores. Com a evolução do uso da Inteligência Artificial, investir em serviços de borda para dar suporte ao mercado corporativo pode ser uma grande oportunidade de negócios nos próximos anos. Tecnologias como Agentic AI, modalidade mais autônoma de IA que, segundo o Gartner, será responsável por pelo menos 15% das decisões diárias de trabalho até 2028, exigirão menor latência e maior capacidade de resposta em tempo real — algo que apenas uma infraestrutura distribuída pode oferecer. Isso abre também espaço para provedores locais se posicionarem como hubs digitais regionais, fornecendo plataformas de dados, inferência local e conectividade inteligente.
A descentralização dos datacenters atende também a questões relacionadas às regulamentações e compliance, permitindo maior controle sobre o armazenamento de dados e atendendo exigências de privacidade e legislação. A chamada Internet 3.0, marcada pela descentralização e interatividade, traz a privacidade como um valor central e transforma os usuários em coprodutores de conteúdo — conteúdo que precisa ser processado, armazenado e protegido localmente com segurança e transparência.
Ter infraestrutura computacional de borda pode, à primeira vista, parecer um aumento nos custos operacionais com energia, manutenção e segurança. No entanto, a automação, a modularidade e a inteligência na gestão desses recursos estão tornando tais soluções mais viáveis e escaláveis. Além disso, aproximar a tecnologia dos usuários melhora significativamente a experiência do cliente, tornando os contratos mais duradouros, com tickets maiores e modelos de negócios mais sustentáveis.
O processamento distribuído de dados não é uma ideia estranha aos provedores de internet brasileiros. Foram eles que criaram verdadeiras estradas de fibra óptica pelo país e democratizaram o acesso à internet banda larga. Agora, estão diante de uma nova fronteira: transformar essa capilaridade em plataformas digitais distribuídas, entregando valor onde ele é mais necessário — na borda, perto de um consumidor cada vez mais exigente, impaciente e digitalmente empoderado.
Célio Mello, gerente de Produtos e Projetos Estratégicos da Eletronet.
Inscreva-se em nosso canal do Whatsapp e tenha acesso as principais notícias do mercado.
Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais