
Tradicionalmente, o setor de tecnologia sempre foi associado à lógica, precisão e capacidade de inovação. No ciclo de desenvolvimento de soluções digitais, muitas atividades operacionais estão sendo automatizadas (automated AI) e outras atividades mais complexas executadas por nós humanos estão sendo aumentadas (augmented AI). Modelos de linguagem, por exemplo, são capazes de gerar código, testar sistemas, organizar dados e até sugerir melhorias. Ferramentas low-code e no-code tornam o desenvolvimento acessível a perfis que não são somente técnicos.
Nesse novo cenário, o profissional que se destaca é aquele capaz de usar a tecnologia como meio, não como fim. A criatividade torna-se essencial para imaginar soluções fora dos padrões, explorar novos usos para ferramentas existentes e desenvolver produtos digitais que garantam impacto real. Agora, mais do que nunca, é a capacidade de ver além da tarefa técnica que gera valor, uma competência humana que a IA não consegue replicar. Se às vezes você se pergunta se Gen AI poderia tirar o seu emprego, a resposta é que definitivamente um humano que sabe extrair o melhor dessa tecnologia irá.
A ascensão da inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho de forma acelerada, especialmente para os profissionais de Tecnologia da Informação (TI). Conforme o Relatório “Future of Jobs” do Fórum Econômico Mundial, que analisa as tendências globais e o impacto da tecnologia, embora algumas funções sejam automatizadas, um número ainda maior de novos empregos será criado. No entanto, esses novos postos de trabalho exigirão um novo conjunto de habilidades, onde o domínio técnico, embora fundamental, já não é somente o principal destaque.
Saber priorizar: uma habilidade humana valiosa
Com o crescimento do número de soluções automatizáveis, saber o que deve ou não ser feito com IA se tornou uma habilidade-chave. Priorizar significa entender o que de fato é problema, onde está a maior dor do usuário, qual processo trará mais retorno se for automatizado — e, principalmente, o que deve continuar sendo conduzido por pessoas potencializadas por AI.
Essa habilidade de discernimento não está nos algoritmos, mas na mente dos profissionais que sabem traduzir objetivos de negócio em soluções tecnológicas eficazes. Pesquisas da McKinsey & Company sobre IA e o futuro do trabalho e estudos da Deloitte sobre o impacto da IA na força de trabalho corroboram que a capacidade de priorização e a tomada de decisão estratégica são cruciais em um ambiente de mudanças rápidas, onde saber o que deixar de fazer pode ser tão estratégico quanto o que se decide implementar.
As habilidades que seguirão em alta
Com base nas projeções do Fórum Econômico Mundial e na observação de tendências globais em tecnologia, os profissionais de TI que continuarão se destacando nos próximos anos serão aqueles que priorizam os seguintes aspectos:
- Criatividade, inovação e pensamento crítico aplicados a problemas reais. Essas são as competências mais valorizadas, combinando pensamento estratégico com a capacidade de resolução de problemas, um ponto de convergência entre diversos relatórios de mercado;
- Autonomia para tomar decisões e adaptabilidade em contextos complexos. A capacidade de navegar em ambientes incertos e de aprender continuamente é vital;
- Competência de integrar IA e automação de forma estratégica, com visão de negócio. Profissionais que entendem como a tecnologia se alinha aos objetivos organizacionais são cada vez mais procurados;
- Comunicação clara com áreas não técnicas e compreensão do impacto humano da tecnologia. A habilidade de traduzir a linguagem técnica para outros públicos e de considerar as implicações sociais das inovações são diferenciais importantes;
- Aprendizado contínuo e abertura ao novo — tanto em ferramentas quanto em formas de trabalhar. As pesquisas indicam a necessidade de reskilling e upskilling constantes para acompanhar a evolução tecnológica.
Novo protagonismo
A tecnologia já não é mais suporte: ela é estratégia. Gosto de pensar que negócio e tecnologia hoje são uma só palavra. E isso muda o papel de todos nós como profissionais e não somente os de tecnologia. Cada vez mais precisamos nos posicionar como os protagonistas que encontram os melhores caminhos para propor inovações para os negócios das nossas organizações.
Nesse contexto, quem domina a técnica, mas também enxerga o todo, pensa de forma criativa e sabe priorizar com clareza, assume uma posição de destaque. A IA pode gerar código, mas a visão do que deve ser construído — e por que — ainda é uma tarefa profundamente humana.
Leandro Angelo, sócio e vice-presidente Latam da CI&T.
Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais