Uma empresa pode continuar precisando de determinado profissional, mas já não precisar exatamente do mesmo trabalho que ele realizava há alguns anos. Com a inteligência artificial automatizando tarefas e alterando processos, cresce o desafio de entender quais atividades continuam essenciais e quais competências serão necessárias para executá-las.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma em cada quatro pessoas no mundo está em uma ocupação com algum grau de exposição à IA generativa. O efeito mais provável, porém, é a transformação das funções, e não sua substituição integral.

Essa mudança traz uma questão para as empresas antes mesmo da abertura de uma vaga: o perfil profissional definido anteriormente ainda corresponde às necessidades daquela função? Reproduzir uma descrição antiga sem considerar as mudanças provocadas pela tecnologia pode levar a processos seletivos desalinhados com o trabalho que precisa ser realizado.

“Em muitos casos, a vaga continua existindo, mas as atividades e competências exigidas já mudaram. Quando a empresa simplesmente replica uma descrição antiga, corre o risco de buscar um profissional para uma realidade que já não corresponde às necessidades do negócio. Por isso, antes de abrir uma vaga, vale entender como a tecnologia está mudando aquela função e o que a empresa precisará desse profissional”, afirma Thomas Costa, diretor de Growth da Redarbor Brasil, empresa responsável pelo Pandapé.

A transformação já pode ser observada em diferentes áreas. Em funções administrativas, ferramentas de IA podem apoiar atividades de organização e consolidação de informações. Em marketing e comunicação, auxiliam na produção inicial de conteúdo e em análises. Na área de tecnologia, assistentes de programação modificam etapas do desenvolvimento de software. Em cada caso, o impacto depende das tarefas envolvidas e da forma como a empresa incorpora essas ferramentas ao trabalho.

O movimento também aparece nas expectativas das organizações. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 86% dos empregadores esperam que a inteligência artificial e as tecnologias de processamento de informações transformem seus negócios até 2030. O levantamento também indica que 77% planejam investir na qualificação de profissionais para responder às mudanças.

À medida que parte da execução passa a contar com apoio tecnológico, competências como pensamento analítico, resolução de problemas, comunicação, adaptabilidade e capacidade de aprendizagem ganham relevância. A experiência anterior continua importante, mas precisa ser considerada em relação às exigências da função. Para o RH, isso significa avaliar quais competências são indispensáveis desde a contratação e quais podem ser desenvolvidas ao longo do tempo.

“Não adianta avaliar um candidato apenas pelo que ele já fez se a função vai exigir outras capacidades daqui para frente. O RH precisa entender quais competências são essenciais para aquela posição e avaliar se o profissional tem potencial de responder a essas demandas. Isso ajuda a tornar a contratação mais coerente com o que a empresa realmente precisa”, afirma Thomas.

Revisar descrições de vagas e critérios de seleção é parte desse processo. Ferramentas de recrutamento e avaliação de talentos também podem apoiar essa análise. Enquanto o Pandapé organiza os processos seletivos, o Pandapé Genoma amplia a avaliação para além do currículo, ajudando a identificar o potencial dos profissionais em relação às competências e às exigências de cada função.

Mais do que prever quais cargos podem desaparecer, as empresas precisam entender como a inteligência artificial está mudando as funções que continuam existindo. Para o recrutamento, a questão é saber se os critérios usados hoje para escolher um profissional ainda fazem sentido para o trabalho que ele precisará realizar.

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