O ensino médio é o nível de escolaridade mais exigido nas vagas de emprego, segundo levantamento do Pandapé. Das 536.718 oportunidades analisadas no primeiro semestre de 2026, 53,8% indicavam essa formação como requisito. O ensino superior aparecia em 18% dos anúncios, enquanto o ensino fundamental correspondia a 21,4% e os cursos técnicos, a 5,5%.
Em números absolutos, 288.815 oportunidades indicavam o ensino médio como requisito de escolaridade. Já o ensino fundamental aparecia em 114.913 anúncios, enquanto 96.657 vagas solicitavam formação superior e 29.283 exigiam curso técnico.
Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o volume total de vagas analisadas passou de 478.396 para 536.718, um crescimento de 12,2%. A participação das oportunidades que exigiam ensino médio permaneceu praticamente estável, passando de 54% para 53,8%.
As vagas que solicitavam graduação, por sua vez, cresceram em ritmo um pouco superior ao da base total. O volume passou de 84.502 para 96.657 anúncios, aumento de 14,4%. A participação desse requisito subiu de 17,7% para 18% no período.
Embora a distribuição das exigências tenha apresentado poucas mudanças, os dados ajudam a dimensionar o papel da escolaridade nos processos seletivos. O diploma continua sendo um critério importante para muitas posições, mas sua relevância depende dos conhecimentos exigidos, das responsabilidades do cargo e das regras que se aplicam a cada profissão.
Para Patricia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, a escolaridade precisa ser analisada de acordo com as exigências reais da função. “A formação acadêmica pode ser indispensável em determinadas profissões, mas não é o único elemento que permite avaliar se uma pessoa está preparada para a atividade. Para alguns cargos, a experiência, os conhecimentos específicos e a capacidade de aprendizagem também podem ser importantes para a decisão de contratação”, afirma.
A análise também identificou uma redução nas oportunidades que solicitavam curso técnico. No primeiro semestre de 2025, essa formação aparecia em 29.608 vagas, equivalentes a 6,2% do total. Em 2026, foram 29.283 anúncios, ou 5,5% da amostra. A variação indica uma queda no volume de anúncios com esse requisito, mas não permite concluir, isoladamente, que a demanda por profissionais técnicos tenha diminuído em todo o mercado de trabalho.
Quando o diploma deve ser determinante?
A definição dos requisitos de escolaridade exige considerar o que cada função demanda. Em profissões regulamentadas, a formação específica e, em determinados casos, o registro profissional são condições obrigatórias para o exercício da atividade. Em outras posições, as empresas podem avaliar se os conhecimentos necessários também podem ser demonstrados por meio da experiência, de certificações ou de avaliações práticas.
Essa distinção é relevante para a elaboração das descrições de vagas e para a definição dos critérios de triagem. Requisitos que não correspondem às atividades reais do cargo podem restringir o grupo de candidatos considerados, inclusive quando há profissionais com experiência e conhecimentos compatíveis com a função.
“Antes de estabelecer a escolaridade como critério eliminatório, deve-se considerar a relevância para função ou se está sendo usada como uma referência geral. Quando o objetivo é avaliar conhecimentos ou habilidades específicos, é importante considerar quais evidências realmente ajudam a identificar candidatos preparados para a função”, afirma Patricia.
Entrevistas estruturadas, avaliações de conhecimentos e análises de competências podem complementar as informações do currículo e ajudar o RH a comparar candidatos com critérios definidos previamente. Essas ferramentas não substituem qualificações obrigatórias, mas podem ampliar a avaliação quando diferentes trajetórias profissionais são compatíveis com as exigências da vaga.