
Acredito que boa parte dos CIOs e líderes de tecnologia se veem numa encruzilhada entre tecnologia e inovação. Não creio que seja possível abordar as duas frentes de maneira independente. São dois temas, cada um com seu nível de dedicação, conduzidos de maneira paralela e, na grande maioria das vezes, convergentes.
Podemos também refletir sobre a seguinte hipótese: é possível conduzir uma estratégia de tecnologia bem definida sem que os elementos da inovação não estejam impregnados?
Enxergo alguns caminhos para a combinação de tecnologia, inovação e liderança, de maneira prática e bem direcionada:
Tecnologia viabilizando negócio:
- Arquitetura corporativa: Como falar de inovação em tecnologia sem ter um plano bem estruturado de arquitetura? Onde estamos, o que queremos como evolução e como faremos para alcançar esses objetivos? Conceitos básicos, como mapa de capacidades, princípios de arquitetura, arquiteturas de referência etc. ajudarão a ter um caminho claro de evolução.
- Processos e práticas: Tecnologia integrada ao negócio não é apenas um buzzword, mas é a única forma de compatibilizar uma transformação efetiva do negócio digital alinhada à geração de valor tão esperada de negócio. A tecnologia deve viver plenamente os reais desafios e oportunidades das áreas corporativas, de negócio e de produtos.
- Dados e Inteligência Artificial: Escolha um modelo de implementação que facilite a democratização dos dados, onde tecnologia viabiliza governança, plataformas e ferramentas para que as áreas de negócio tenham condição de gerar inteligência. Estabelecer um modelo governado, mas que permita a descentralização das soluções, é um game changer.
- Segurança da informação: Toda a geração de valor através de tecnologia não faria sentido sem o mínimo de segurança da informação e cibernética. Esteja alinhado com o board do nível de risco e investimento adequado para o seu negócio e prefira uma implementação para evitar os riscos através de soluções em camadas (usuário, aplicação, rede, infraestrutura etc.).
- FinOps: Um termo muito utilizado ultimamente, mas que deve ser considerado além de seu significado. Tenha o time de finanças como o seu maior aliado. Tenha consciência de que um negócio que cresce e que proporciona boas soluções carrega uma expectativa enorme no uso eficiente dos recursos de computação em nuvem.
Tudo passa pela liderança. A humanização do time de tecnologia cria um ambiente onde o erro é possível, desde que traga aprendizado e proporcione inovação. Líderes que têm dificuldade de colaborar, confiar e aprender terão dificuldades para sobreviver e gerar valor nesse ambiente tão complexo e dinâmico que vivemos hoje em dia.
Também estabeleça mecanismos para reconhecer e recompensar ideias inovadoras e a implementação bem-sucedida de novas tecnologias. Isso pode incluir prêmios, bônus ou oportunidades de desenvolvimento profissional.
Áreas de inovação, R&D, entre outras, podem e devem ser criadas para encabeçar estratégias de inovação, tanto dentro quanto fora da empresa. Entretanto, é importante garantir que ela não fique fechada entre quatro paredes, mas que irradie para toda a organização. A inovação deve fazer parte dos processos, práticas, métodos, relações, construções e entregas. Além disso, podemos destacar:
- Colaboração Externa: Estabeleça parcerias com startups, universidades e outras empresas para fomentar a inovação. A colaboração externa pode trazer novas perspectivas e acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras.
- Ecossistema de Inovação: Participe de ecossistemas de inovação, como hubs de tecnologia e incubadoras, para estar em contato constante com novas tendências e tecnologias emergentes.
Reafirmo: não existe tecnologia sem inovação e não é possível inovar sem tecnologia. Vou além: não acredito ser possível uma empresa ser bem-sucedida sem que a liderança de tecnologia conduza o tema de maneira síncrona com os times de negócio e produtos. A inclusão de uma cultura de inovação e parcerias estratégicas pode potencializar ainda mais essa sinergia, garantindo um ambiente propício para o crescimento e a transformação contínua.
Igor Freitas, Sócio e Vice-presidente de Tecnologia da Informação na Cogna Educação.
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Fonte: TI INSIDE Online - Leia mais