O Brasil criou 1.134.033 postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar do resultado positivo, o avanço do emprego convive com um desafio para as empresas: encontrar profissionais com as competências necessárias para ocupar as oportunidades disponíveis. O cenário aparece em levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apontam a falta ou o alto custo da mão de obra entre os principais obstáculos enfrentados por empresários.
Para Patricia Suzuki, Diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, os números mostram que a expansão do mercado de trabalho precisa ser acompanhada de uma atenção maior à qualificação profissional. “O crescimento do emprego é um sinal positivo para a economia, mas traz uma reflexão importante sobre a capacidade das empresas de encontrar os profissionais que precisam. Nem sempre o desafio está na quantidade de pessoas disponíveis. Muitas vezes, existe uma diferença entre as competências exigidas pelas vagas e aquelas que os candidatos inscritos para as posições conseguem demonstrar durante o processo de seleção”, analisa.
Na construção civil, essa dificuldade aparece de forma expressiva. Segundo a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela CNI em julho, 28,9% dos empresários apontaram a falta ou o alto custo de trabalhadores não qualificados entre os principais problemas enfrentados no segundo trimestre de 2026. A mesma dificuldade, envolvendo profissionais qualificados, foi mencionada por 28,6% dos entrevistados.
O cenário também se repete na indústria de transformação. De acordo com o Panorama da Pequena Indústria, divulgado pela CNI, a falta ou o alto custo de trabalhadores qualificados foi apontada por 26,5% dos empresários de pequeno porte do segmento no primeiro trimestre de 2026, figurando entre os principais entraves enfrentados pelas empresas.
Na avaliação de Patrícia, os indicadores reforçam a necessidade de as organizações diferenciarem os conhecimentos indispensáveis daqueles que podem ser desenvolvidos ao longo da trajetória profissional. “Existe uma tendência de buscar candidatos que já cheguem com todas as competências desejadas, mas nem sempre esse perfil está disponível no mercado. É importante avaliar o que é essencial para o exercício da função e onde existe espaço para aprendizagem e desenvolvimento. Essa mudança de perspectiva pode ampliar as possibilidades de contratação sem comprometer a qualidade da seleção”, explica.
A discussão ganha relevância especialmente em setores que dependem de conhecimentos técnicos ou enfrentam transformações frequentes em suas atividades. Além da experiência anterior, características como capacidade de aprendizagem, resolução de problemas e adaptação podem contribuir para identificar profissionais com potencial de desenvolvimento. Isso não elimina a importância da formação específica, sobretudo em profissões regulamentadas, mas amplia os critérios considerados pelas empresas.
Outro ponto importante está na maneira como os processos seletivos são estruturados. A definição das exigências da vaga, a clareza sobre as responsabilidades e a escolha dos métodos de avaliação influenciam a capacidade das organizações de identificar candidatos compatíveis com suas necessidades. Entrevistas estruturadas e avaliações de competências, por exemplo, permitem reunir informações que complementam a análise tradicional do currículo.
“Contratar bem contempla encontrar o perfil adequado para a posição, com flexibilidade para avaliar o candidato além do currículo, considerando agilidade de aprendizagem e características que indiquem condições para desempenhar a função e evoluir dentro da organização. Quanto mais informações consistentes o RH consegue reunir sobre os candidatos, maior é sua capacidade de tomar decisões alinhadas às necessidades do negócio”, destaca Patrícia.
A tecnologia pode apoiar as empresas na organização das candidaturas e na análise das informações utilizadas durante a seleção. Soluções como o Pandapé, que reúne ferramentas de gestão de recrutamento e avaliação de candidatos, permitem integrar diferentes etapas do processo e oferecer ao RH uma visão mais completa dos profissionais. Para Patrícia, o avanço dessas ferramentas acompanha uma mudança no papel da área de Recursos Humanos, que passa a combinar tecnologia, dados e conhecimento sobre pessoas para responder às necessidades de contratação das empresas.